Simplicidade é a Felicidade
                                     Dionilce

Em matéria de caráter, modos e estilo, a simplicidade é o melhor por excelência.
O homem, em busca de um progresso irreal, complicou o mundo de tal maneira que perdeu o sentido da simplicidade e, agora, está difícil regressar à natureza pacífica de outrora. Até que ponto a tecnologia foi válida para uma sobrevivência feliz?
O ar não é mais o mesmo, as frutas estão contaminadas, as matas incendiadas, praias sujas, água poluída, cascatas sem frescor, uma insensibilidade humana atropelando os espaços em busca de um objetivo que nem sempre gera o bem-estar pretendido.
Além disso, a violência, gerada por toda esta miséria e pela desigualdade, leva a vermos homens presos nas casas, bandidos soltos na rua, balas perdidas, tornando a vida mais complicada.
Diógenes, filósofo grego, que viveu há mais de 2000 anos, já pregava a maneira simples de viver. Achava que todo mundo deveria levar uma vida singela. Abandonou quase tudo que possuía e foi morar, por algum tempo, num grande tonel, para mostrar que era possível viver sem as comodidades habituais. Carregava um manto, uma bolsa e um copo. Quando viu um menino camponês beber água no côncavo da mão, jogou fora o copo, por achar o mesmo supérfluo.
Certa vez, Diógenes encontrou Alexandre, “O Grande”. Este lhe disse que atenderia qualquer favor que ele pedisse. Diógenes respondeu: - não me tire o que não me pode dar, não fique entre mim e o Sol. Alexandre gostou muito desta resposta e disse: - se eu não fosse Alexandre, gostaria de ser Diógenes.
Dizia ainda que a sabedoria e a simplicidade eram pressupostos da moralidade.
Logicamente, que não vamos chegar aos extremos de Diógenes, nos dias atuais, mas não sejamos vítimas ingênuas de um crescimento que destrói os valores essenciais da vida.
Descomplicar é preciso! Colaborar com a natureza e com a saúde, evitando os males que vão levar a destruição do planeta.
Ó homem! por que complicou o mundo, destruindo a beleza maior, mergulhando neste mar tão imundo e colhendo o que tem de pior.

Emoção X Razão
                       
Dionilce

A mente humana é como o pêndulo de um relógio que flutua entre a razão e a emoção.  

Estamos girando num mundo complexo em que a cabeça e o coração precisam um do outro. Cada explosão emocional, seja de raiva, tristeza ou medo, demonstra que um gatilho foi acionado e o equilíbrio abalado pode resultar em consequências desastrosas.

As pessoas fracas vivem constantemente combatendo sentimentos de desespero, enquanto as fortes se recuperam com muita rapidez dos reveses e perturbações da vida. É necessário saber dominar as emoções e conseguir manter a calma nas situações desfavoráveis no nosso conviver.

Muitos alunos, com destaque intelectual, são reprovados nos vestibulares ou concursos pela falta de controle emocional e de serenidade na hora dos testes, enquanto outros, menos capacitados, mas emocionalmente equilibrados, conseguem um resultado melhor.

A falta de controle emocional pode destruir relacionamentos, amizades, arruinar carreiras promissoras e complicar muito a vida profissional e pessoal. Cito o caso de um consumidor que, por sua insatisfação com o produto comprado, quebrou peças de uma loja, levado pela revolta. É preciso segurar a reação!

Pessoas ciumentas são capazes de matar ao constatar a traição do parceiro. Uma discussão, por motivo tolo, pode desencadear uma tragédia.

Crimes hediondos, suicídios e abusos são sinais alarmantes de uma sociedade emocionalmente doente.

A empatia, também, é necessária para conhecer melhor as pessoas, saber lidar com os sentimentos alheios, evitando atos impulsivos. Seres humanos empáticos são estrelas sociais, porque sabem interagir com os outros.

O controle emocional pode ser tão importante ou até mais do que o intelectual.

Portanto, atenção máxima aos sentimentos. Não se deixe dominar por eles!

O menino do ônibus
                       
Dionilce

Apesar de sair para um lugar próximo, resolvi
pegar um ônibus, porque estava cansada e atrasada
para meu compromisso. Ao subir no veículo, deparei-me com um menino com uns 6 anos de idade, de semblante terno e triste.
Perguntei-lhe se estava tudo bem.
Ele respondeu-me que não. – Por que? Quis saber. Disse-me que ia para casa da avó pelo fato de ter perdido a mãe. E os seus olhos encheram de lágrimas e fizeram com que os meus ficassem molhados ao sentir a tristeza estampada no rosto de anjinho do pobre menino.
Fiquei confusa, tive vontade de abraçá-lo e fazer alguma coisa para apagar aquela amargura.
Coloquei a minha mão na sua cabecinha. Chegou o ponto que eu deveria saltar e só tive a chance de dizer-lhe: – Tudo vai mudar para melhor. Acredite!
Deveria ter feito mais, porém o corre-corre da
vida nos cega a ponto de não vermos a importância de darmos nosso amor para as pessoas com as almas feridas pela dor de uma perda. Perdi esta oportunidade de saber mais daquela criancinha, tão sozinha e sem esperança.
Espero encontrá-la, outra vez, para completar o meu carinho que ficou freado numa simples parada de ônibus.

 

A sustentável insensibilidade do ser
                       Dionilce

O medo do desconhecido está levando as pessoas a sustentarem uma insensibilidade, como arma de defesa, para se protegerem dos acontecimentos que ameaçam a tranquilidade. O mundo vive um verdadeiro caos que impede as criaturas de vomitarem suas opiniões na sarjeta da sociedade. As notícias de tragédias estão se repetindo muito rapidamente e o ser humano, mergulhado neste contexto, não tem tempo para refletir melhor sobre a sua existência.
A corrupção, a violência e a imoralidade crescem com uma velocidade intensa. Diante desta situação, muitos aproveitam para saquear, para lesar a Pátria, a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal sem se preocuparem com as consequências geradas nas outras pessoas, sustentando uma insensibilidade para proveito próprio, aproveitando-se deste quadro lastimável. E o ser humano “fica”, calado. Aliás, a onda é ficar, não reagir diante da descrença de que alguma justiça possa ser feita. É necessária a sustentabilidade da insensibilidade para conseguir sobreviver a um tempo confuso que mistura direitos humanos com hedonismo e com promiscuidade. Existe um crescimento do ativismo em favor do aborto, da prostituição, do homossexualismo e da pedofilia.
Os espectadores deste quadro preferem calar a sensibilidade, sustentar uma atitude de descomprometimento com os fatos, uma insensibilidade comodista, deixando a vida correr e a desgraça acontecer.


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